Há oito anos…

Direto do túnel do tempo resgato esta entrevista que dei para a revista Ciência Hoje das Crianças. Na ocasião eu estava coordenando o curso de Produção Multimídia na PUC Minas e falei sobre a profissão que, apesar de o curso ter acabado, ainda é muito necessária neste mundo hiperconectado e de multifluxos de informação.

Diferentemente do que fiz com o acervo da WWW, este exemplar está aqui pros meus filhos um dia lerem em papel mesmo. A vizinha daqui do prédio doou um monte de outros exemplares da revista e eu juntei este ao bolo. Acho que vai ser legal se um dia eles toparem com o pai deles numa revista…

Mudando algumas coisas de lugar

Com o objetivo de liberar espaço aqui em casa eu resolvi digitalizar minhas colunas publicadas na revista WWW em 2005. Foi um período bem interessante onde escrevi algumas coisas para esta publicação mensal. As colunas foram publicadas entre as edições 59 e 78. Agora você pode ler tudo aqui. Obviamente muitas coisas mudaram, mas vale pelo registro 😉

59 – Faça bom uso da rede

60 – Use o bom senso na internet

61 – Liberdade de verdade

62 – E aí, terminou?

63 – A internet não tem dono

64 – Critique e deixe criticar

65 – Por trás da web 2.0

66 – Usabilidade é coisa séria

67 – Faça bom uso do e-mail

68 – Conhecer para fazer

69 – E-mail não é site

71 – Quem é o profissional web?

73 – A importância da compatibilidade

74 – Respeito é bom e o usuário gosta

75 – Sua empresa na web

78 – O desafio da newsletter

Algumas coisas que percebi durante o mês que usei o Nubank como meu principal cartão

Tenho o cartão de crédito do Nubank há alguns anos e priorizo o uso dele para fazer minhas compras pela internet. Ele se mostrou muito mais bacana do que o meu cartão anterior, do Santander. O que me fez priorizar o uso do Nubank para compras online foi o fato de repetidamente o Santander negar processar uma compra legítima que eu estava tentando fazer online e eu só conseguir fazer pelo Nubank. Você pode até argumentar que o Santander faz isso por segurança. Mas aí quando apareceu uma compra suspeita na minha fatura, novamente tive muito mais trabalho de cancelar e não ser cobrado indevidamente pelo Santander do que pelo Nubank.

Por isso (e claro, por uma série de outros motivos) o Nubank tem tomado de assalto (trocadilho infame) o mercado de serviços financeiros no país.

Recentemente foi habilitada pra mim a função de débito no Nubank. Achei interessante e resolvi passar um mês usando apenas o Nubank para débito e crédito. Foi julho. Assim que recebi meu salário, fiz um saque para garantir um $$ no bolso durante o mês (emergência, etc) e transferi todo o resto pra conta do Nubank; durante o mês usei apenas o cartão para débito e crédito.

A primeira coisa que senti foi um frio na barriga. Isso porque fiquei com medo de precisar fazer saques. Afinal, cada ida ao caixa 24h para tirar dinheiro de sua conta no Nubank vai te custar 7 dinheiros. Ou seja: se você vai tirar R$10, o que vai sair de sua conta são R$17. Assustador. Ainda bem não precisei fazer isso. Obviamente, como tenho conta no Santander, poderia tirar por lá. Isso me deixou mais tranquilo. Mas enfim.

Uma outra coisa que achei bacana foi usar apenas a aproximação do cartão para pagar coisas no débito. Achei muito legal e, ao mesmo tempo preocupante. Em alguns locais, apenas aproximando a compra já era processada. Em outros, além de aproximar, precisava digitar a senha. Em alguns, embora a maquininha tivesse o indicador de pagamento pro aproximação (algo que au acabei usando muito) os operadores nem sabiam do que se tratava. Fiquei um pouco preocupado com a questão da segurança. Qualquer pessoa com meu cartão poderia fazer comprar mesmo sem saber minha senha!!

Ao longo do mês tudo correu bem. Paguei todas as compras com o Nubank e foi uma experiência bem interessante. Já nos últimos dias de julho, ao fazer uma compra na loja do Leroy Merlin, o operador do caixa puxou papo quando fui pagar com débito Nubank e ele me deu uma dica. Ele disse que estava usando a conta do Nubank também, mas que fazia diferente. Ele passava todo o dinheiro para a sua conta do Nubank como eu. Mas ele não usava o débito. Apenas o crédito. De acordo com ele, o dinheiro ficava rendendo lá na conta e, quando chegava a fatura ele pagava com o dinheiro que estava lá. Ele disse que sempre dava para ganhar alguma graninha extra assim. Achei que o caixa da Leroy era realmente muito mais esperto financeiramente do que eu. A cada dia, um novo aprendizado 🙂

Enfim. O experimento foi legal para descobrir que eu realmente não preciso mesmo do Santander para viver. Embora a questão de pagar POR SAQUE seja bem ruim, tenho esperança de um dia isso se resolver e eu passar a usar apenas o Nubank.

Refletindo sobre abandonos de debates

Recentemente o cientista político Rudá Ricci abandonou um programa ao vivo na TV Horizonte. Assista abaixo o vídeo em que o Rudá abandona o debate. 

https://www.youtube.com/watch?v=uYaOZCPk7wE

O ocorrido me fez lembrar de outro acontecimento do passado recente: o abandono de um programa de Rádio pela Márcia Tiburi. Veja abaixo o vídeo deste episódio.

https://www.youtube.com/watch?v=ssx6w8rInW0

Entendo que os dois casos de abandono de debate tem motivação comum: a impossibilidade de discutir com pessoas que argumentam de uma maneira semelhante. Embora coincidentemente os dois debatedores que foram abandonados defendam uma mesma pauta, não é esse o ponto.

O ponto é a maneira com a qual estas pessoas defendem suas ideias, a postura agressiva com a qual se colocam, a forma como desqualificam qualquer ponto de vista diferente dos seus e a impossibilidade total de desenvolver uma conversa sensata desta maneira. Em outras instâncias também tive muita dificuldade de debater com quem se comporta desta forma.

Não tiro a razão dos dois que abandonaram os debates. Não tenho sangue frio, não sei se eu teria a mesma capacidade. Mas, enfim.

O que quero dizer é que achei uma pena que o Rudá usou de sua titulação para desqualificar o rapaz do PSL com quem debatia. Acho que não é esse o caminho. Não é a titulação de alguém que capacita a pessoa de trocar ideias. Conheço pessoas que não tem qualquer titulação e que são extremamente coerentes e interessantes de se conversar. Ao mesmo tempo, conheço doutores que são obtusos e não sabem conversar.

Acho que o que impede que exista uma conversa legal e produtiva nestes (e em vários outros) debates é que ninguém está aberto a ser convencido. Isso é uma coisa complicada. Participar de um debate não é tentar convencer o outro. É apresentar suas argumentações e, principalmente, estar aberto a ser convencido. Se não há a menor possibilidade de você ser convencido por seu interlocutor, melhor não debater mesmo.

Enfim. Queria apenas refletir sobre isso.

Modais… Modais em todos os lugares

Entrei há pouco no site da revista Quatro Rodas e fui surpreendido por uma série de modais.

Não é raro isso acontecer. Não se trata de exclusividade da revista ou mesmo da editora. Modais estão em todos os lugares. Infelizmente.

Ao que tudo indica, profissionais de comunicação digital apenas substituíram janelas pop-up por modais. Não entenderam que o problema não está em abrir uma janela, mas sim em interromper o usuário em seu fluxo de navegação. Isso não deve ser feito e ponto final.

Mas, enfim, né?

O dia em que eu vi mais um ex na rua

Estava a caminho do trabalho, na Av. Amazonas, e parei atrás de um carro que tinha o adesivo do Flying Spaghetti Monster no sinal. Ali, na altura do Prado. Achei aquilo muito legal e me lembrei que eu tive um carro com aquele adesivo. Lembrei de como foi difícil colar aquele adesivo com tantas partes fininhas e soltas 🙂

Aí eu vi no vidro do carro um outro adesivo; religioso. E bateu um sentimento estranho ao ver aquilo. “Como assim, a pessoa tem estas duas manifestações tão antagônicas uma tão perto da outra‽”, pensei. Foi então que eu me atentei para a placa. E aí tudo veio como quando a gente entende uma piada, sabe? Eu fiquei rindo alto feito bobo sozinho no carro. 

Aquele carro que estava na minha frente havia sido meu! Meu ex-carro 🙂

Isso já aconteceu outras vezes, devo dizer. Só que hoje foi muito mais engraçado. Compare.

Há um tempão eu tive um Renault Twingo. Eu gostava muito dele. Quando o vendi, fiquei meio saudoso. Dois dias depois eu o vi na rua e foi uma sensação muito legal. O mesmo aconteceu quando vi uma caminhonete que tive novamente na rua. Sentimento legal de nostalgia.

Recentemente eu me encontrava muito com um Palio que tive. Parece que a pessoa que o comprou trabalha (ou trabalhava?) perto de minha casa. Neste caso do Palio eu ficava especialmente saudoso e ao mesmo tempo chateado porque a pessoa retirou o adesivo Vote For Pedro que eu tinha colocado nele. Sempre que via este carro eu ficava pensando se a pessoa sem coração que retirou o adesivo estava tratando bem aquele carro cujo banco eu deixei manchar com óleo que escorreu de uma pizza de berinjela / abobrinha comprada na Pomodori…

Enfim… Foi ótimo rever aquele Fiesta. E foi bom ver aquele adesivo lá, colado até hoje. Certamente a pessoa que colocou o adesivo “FÉ” nele, nem sabe o que o FSM é. Espero que continue assim, para que quando eu o encontre novamente, ria sozinho feito bobo.

A falta de experiência na questão da experiência do usuário

Às vezes a gente pensa que, porque já sabemos alguma coisa, os outros também já sabem.
Mas outra coisa que a gente sabe é que não é bem assim.

Isso costuma acontecer comigo muito. O tempo todo preciso me policiar.

Como, desde o ano 2000 trabalho com usabilidade (isso mesmo: de 1995 a 2000 eu trabalhei com desenvolvimento web sem saber que existia algo chamado usabilidade. Trevas, amigo. Trevas), arquitetura de informação e correlatos, é muito fácil achar que, em pleno ano de 2017 estes sejam conceitos introjetados em qualquer processo de produção de um sistema interativo que se preze.

Ainda mais em tempos em que vivemos a emergência (eu diria até com certo exagero) da “experiência do usuário”.

Infelizmente, esta afirmação não poderia ser mais distante da realidade.

Vamos a um caso prático que ilustra perfeitamente a situação.

Meus filhos ganharam uma caixa de bombons Garoto hoje, para a páscoa.
Ao abrir a caixa, vi que havia uma promoção na tampa. A instrução era a de entrar num site, digitar um código e ver se o dono da caixa ganhou R$ 100.000,00.

Tentador, né?

Lá fui eu digitar o código.

A primeira coisa com a qual me deparei foi um problema que, a princípio, pensei ser de compatibilidade de browser. Estava tentando fazer o cadastro em meu browser padrão (Safari). Não conseguia de forma alguma. Mesmo estando idênticos, o formulário acusava que os endereços de e-mail não eram corretos e/ou não conferiam. Fato equivalente ocorreu com os campos de senha. Isso me fez afastar (a princípio) a má fá de quem fez o formulário de impedir os truques bacanas que o Gmail nos permite usar para identificar empresas que vendem nossos cadastros.

Depois de tentar algumas (sério, tentei mais de 5) vezes, abri o famigerado Chrome. Deu o mesmo problema.

Não obstante a questão do conteúdo do formulário não ficar 100% visível para o usuário, o erro persistiu. Tirei o +garoto do endereço e consegui me cadastrar.

O passo seguinte foi validar a conta clicando no link do email enviado. Aí, tudo certo. Como meu navegador padrão é o Safari, o link clicado no cliente de e-mail me levou para este software. Cadastro efetivado. Consegui fazer o login.

Em seguida, o que precisava fazer era cadastrar o código da tampa. Tentei fazer por pelo menos mais cinco vezes no Safari. O CAPTCHA acusou erro em todas as vezes.

Retornei ao Chrome.

Novo login. Novas cinco tentativas.

Nesse momento eu nem lembrava mais a questão do prêmio. Já havia se passado mais de 20 minutos e agora eu só estava preocupado em saber até onde vai a falta de capacidade de construir um sistema que funcione. Em pleno 2017.

Mais algumas tentativas (afinal, como todo usuário, até eu penso que o problema pode ser comigo) depois, o resultado final: Desisti.

Eu achava que isso de sites não funcionarem em algum sistema específico era coisa de meu passado, quando usava Linux + Opera (coitados dos alunos de Ciência da Computação cujos projetos precisavam funcionar corretamente nessa configuração).

Claro que a realidade se mostra bem diferente. E o problema não é só com a Garoto e esta promoção estranha. Recentemente tentei por várias vezes montar um carro em sites de montadoras usando iOS. Te desafio conseguir fazer isso no site da Fiat. Já o site da Renault precisa de Flash para funcionar.

Risos.

Mas, enfim. A questão é que, por mais que achemos que as coisas estejam evoluindo, a realidade (sempre ela) nos presenteia com um belo tapa na cara.

Ainda há muito o que aprender sobre usabilidade, acessibilidade, empatia com o usuário e a tão falada UX. Estes assuntos passaram longe das equipes que estão à frente de projetos web. Em pleno 2017.

Boa sorte a todos nós.

A importância da palavra bem escrita

Estou escrevendo este texto depois de ver uma publicação no LinkedIn (serviço em que me pego todos os dias considerando fortemente apagar meu perfil) onde acabo de ver (pela enésima vez) alguém escrever uma frase usando o verbo haver no plural.

No livro Remote, o Jason Fried dedica um capítulo inteiro para a questão da escrita. Para ele, esta é uma questão crucial para quem vai trabalhar remotamente por causa da comunicação com seus pares. Mas esta importância não prevalece apenas para quem vai entrar na onda do teletrabalho. Escrever bem significa saber se expressar bem e defender bem uma ideia. Significa saber organizar ideias e apresenta-las de modo coerente.

Ele complementa que uma boa maneira de selecionar um bom programador para seu time é optar por aquele que escreve melhor. Texto mesmo. Porque se ele escreve um texto bem escrito, é bem provável que programação não será um problema para ele.

Particularmente, este posicionamento me impressionou um bocado quando li o livro. Isso porque o Jason Fried é um desenvolvedor. E desenvolvedores não são famosos por sua capacidade de escrita. Ainda mais por recomendarem (como no caso do Jason Fried o faz neste livro) que um dos mais (se não o mais importante) relevantes critérios de seleção deve ser a capacidade de um desenvolvedor de escrever bem um texto. O autor dá tanta importância para isso que insere em seu livro várias dicas de leituras e práticas que podem ser adotadas para que melhoremos nossas capacidades de escrita. Enfim, vale a leitura. E, claro, vale também prestar atenção e dar muito peso para a escrita.

Mas voltemos ao caso do LinkedIn. Não ao fato de eu querer deletar minha conta lá todos os dias (isso tratarei no momento apropriado), mas ao fato do erro do plural do verbo haver.

A questão não errar. Todo mundo erra. Eu erro, você erra. Todo mundo erra. A gente erra o tempo todo.

Meu ponto aqui ressaltar o cuidado que precisamos ter com os erros que cometemos e onde cometemos. O erro do plural pode parecer bobo para muita gente. Mas ele é bem diferente daqueles deslizes de digitação que cometemos quando trocamos a letra O pela letra I no teclado. E ainda tem a questão do local onde ocorreu o erro: uma plataforma voltada para profissionais. Errar o plural do verbo haver mostra algo mais grave; como dito, estrutural. Volte a entender que se trata de uma plataforma voltada para a vida profissional das pessoas. Então ver alguém em posição de liderança cometendo um erro desses não é a coisa mais legal de todas.

Enfim. O que quero dizer é que devemos tomar cuidado com nosso texto. Em qualquer circunstância, nosso texto falará muito sobre nós. E por mais que a pós-modernidade e toda sua liquidez indiquem que estes conteúdos não ficarão aqui por muito tempo; o estrago causado pode ser grande, mesmo que online por pouco tempo.

Um experimento

Eu decidi deixar de seguir todo mundo no Facebook.

Começou com aquelas amizades que defendem causas facistas e preconceituosas. Mas acabou se estendendo a todos os meus amigos. Não é nada pessoal, é um experimento.

Graças a este link (que descobri por acaso), foi possível fazer a faxina necessária para que eu seguisse apenas páginas. Antes de descobrir este atalho, eu estava retirando um a um os contatos da minha newsfeed.

Já faz alguns dias que fiz a limpeza total e agora só vejo publicações de páginas quando abro o Facebook.

A ideia é verificar o quanto de notícias eu consigo consumir por esta plataforma e qual a variedade de coisas que aparecem no meu feed, já que são centenas de likes em páginas que eu já dei ao longo dos anos usando o FB.

Com poucos dias de experimento já posso dizer que a plataforma ficou mais bacana. Não é porque meus amigos publicavam porcaria, mas é que agora eu vejo mais conteúdo de empreendimentos que vivem de conteúdo. Quando eu seguia meus amigos, raramente uma publicação de página aparecia em meu newsfeed sem que fosse compartilhada por um ou mais contatos. Agora que não sigo mais meus contatos, o Facebook tem que montar minha newsfeed a partir das coisas que curto. Então ele me mostra publicações de páginas.

É uma maneira de ver um outro lado da coisa. O lado do consumo de notícias pelas mídias sociais sem que as notícias cheguem por meio de meus contatos (sabe a história da “bolha”? Esta é uma maneira empírica e um tanto quanto suja de minimizar o efeito).

Como disse, tem sido bacana. A descoberta de coisas legais aumentou e a lista de leituras cresce. Até agora tem valido a pena.

Protejam seus fãs!

Cara, muito legal este vídeo do canal “Do campo à mesa“:

https://www.youtube.com/watch?v=X6BEw2ZrBoc

Eu gosto muito deste canal e já o recomendei em algumas oportunidades. Falo dele especialmente em sala de aula quando menciono sobre a possibilidade de rentabilização de conteúdo autoral na internet. A dona do canal, Francine Lima, é jornalista e muito competente. Ela faz um trabalho muito bem feito e seus vídeos são informativos e inteligentes.

No vídeo acima ela faz algo muito corajoso: chama a atenção de youtubers famosos acerca do patrocínio feito pela indústria de refrigerantes. Todos sabemos que estas bebidas fazem muito mal a saúde pela quantidade de açúcar.  Francine põe o dedo na ferida. E eu acho que ela acertou.

A crítica que ela faz aos youtubers que aceitam fazer propaganda deste tipo de produto me fez lembrar imediatamente de algo que aconteceu há nove anos no BlogCamp de BH*, quando eu perguntei aos donos de blog que vendiam posts se eles não estariam jogando a sua reputação na latrina ao fazerem isso. Esta minha intervenção fez até com que criassem uma google bomb com meu nome e a expressão “latrina mambembe”.

O fato, recuperando a fala da Francine, é que ela mandou bem ao chamar esta patota na responsabilidade. Estes produtores de conteúdo podem nem ligar, mas têm muita responsabilidade nas costas. Seus fãs os seguem cegamente. E isso é sério. Quando eles fazem apologia ao consumo de produtos tão danosos, devemos pensar não só na grana que eles ganham, mas também nas consequências.

Falo isso porque uma coisa muito bacana das plataformas web (uau, estou recuperando a minha fala de 2007!) é justamente o fato de termos o rompimento com o modelo da mídia de massa do patrocínio de grandes corporações para viabilizar projetos. No contexto da web, as pessoas podem individualmente financiar os produtores de conteúdo (como no caso da própria Francine, que recebe doações via PayPal); e isso faz deste espaço um lugar único em que a independência editorial é possível.

Por isso (em meu caso, antes da questão da saúde), acho que é uma bola fora fazer isso de associar sua imagem à de uma corporação. Em minha opinião, por mais que um youtuber cobre caro, jamais será um montante representativo para a corporação e – mais importante – jamais será algo que compensará a venda de sua credibilidade. É um modelo de comunicação publicitária velho. Funciona (não estou negando isso). Funciona muito bem para o anunciante (por isso falei da questão do montante). Mas o custo para o garoto propaganda é alto. Isso os jovens e inexperientes youtubers não sacam. Ao pensar na grana, estão focados no agora e esquecendo que o tempo passa.

A questão da saúde, levantada pela Francine, é igualmente importante. Mas como eu só parei de tomar refrigerantes há três anos (por causa de uma grave crise de labirintite. sabia que o refrigerante pode ajudar a desencadear uma crise?), acho que a Francine tem mais autoridade para falar do assunto sob este aspecto.

Kudos, Francine!

*Curiosamente ao apresentar o professor Jorge Rocha ontem em sala de aula para a terceira turma da pós em Comunicação Digital nos lembramos que foi neste evento que eu o conheci. Das coincidências da vida, né?

Sobre o golpe de 2016

Um pouco de contexto
Replico aqui (porque, afinal, o site é meu), minha participação em uma discussão em uma plataforma social que gostaria de deixar registrada publicamente para a posteridade. Não que isso vá ser apagado do Facebook, mas a dinâmica da plataforma faz com que lá este conteúdo se perca, embora fique registrado pra sempre nos servidores deles. Mas aqui eu tenho mais controle e, bem, aqui você está lendo este texto agora e pra mim é isso que importa.

A discussão
Então, começou com um desabafo de minha angústia ao ver tremenda injustiça acontecendo em meu país. Me deixa genuinamente chateado ver que isso está acontecendo e que tem gente achando normal.

Eu disse:

Se a essa altura do campeonato você ainda não se tocou que rolou um golpe e que está em curso um desmonte de nossa democracia, das duas uma: ou você é muito ignorante ou covarde.

Questionaram a existência de um golpe. E argumentaram a responsabilidade da presidenta e de seu partido no golpe (tipo, culpando a vítima? Eu realmente não entendi esta parte do argumento. As pessoas dizem que a culpa de o Temer estar ocupando ilegitimamente a presidência é do PT e de quem votou no PT para a presidência).

Acontece que são duas coisas diferentes. Uma foi a sequência de erros do PT de ter se associado ao PMDB esperando que isso fosse garantir maioria no congresso e, por consequência, governabilidade. Este foi um erro que custou muito caro. Fez com que muita gente demonstrasse sua insatisfação nas urnas em 2014 (pode me incluir neste grupo; o de pessoas que não votaram no PT no primeiro turno). Enfim. Esta associação com o PMDB não foi benéfica, pois trata-se de um partido sem qualquer orientação moral ou mesmo ideológica.

Mas isso não dá legitimidade ao Temer. Ele compunha a chapa. Quem votou na Dilma, não votou nela por causa do Temer. Arrisco dizer que muitos, como eu, votaram nela no segundo turno de 2014 APESAR do Temer.

Então, associar um com o outro como se fosse algo que passasse macio na garganta de quem votou não é o caminho.

Outra coisa (que valeria por si só, mesmo se o que expus acima fosse completamente equivocado) é a legitimidade do processo de impeachment.

Uma série de jogadas e associações – no mínimo estranhas – entre poder judiciário, legislativo e uma clara campanha difamatória que usou e abusou do poder financeiro e da mídia para desqualificar um governo legítimo (não estamos entrando no mérito aqui da qualidade da gestão Dilma, mas sim falando de sua legitimidade).

A questão do crime de responsabilidade é altamente contestável. Isso não está claro e muito menos plenamente definido. E temos que levar em consideração também os diferentes pesos e medidas usados para atacar Dilma e defender seus opositores.

O fato de se aprontar um verdadeiro escarcéu com relação a Dilma e Lula (quando na tentativa de nomeação do segundo para um ministério) e, logo na primeira ação do governo ilegítimo que assumiu o país vermos 7 ministros investigados na mesma operação que culminou no afastamento da Dilma sendo nomeados é um bom exemplo desses pesos e medidas diferenciados. Além de, claro, sinalizar a manipulação midiática visto que não se indignou com os 7 ministros como se indignou com a indicação de Lula. Seguindo aquela lógica, as pessoas que se indignaram com Lula deveriam estar sete vezes mais indignadas com a ação do Temer. Mas não, o que vemos é o silêncio.

O desmonte da democracia evidenciado (como se um presidente ilegítimo assumir não fosse o suficiente) na remoção do MinC e na sinalização de perda de direitos trabalhistas pra todos os lados (não percamos de vista o que está prestes a acontecer na saúde).

Sem mencionar o fato de que quem conduziu o processo (Eduardo Cunha) na câmara ser réu e ter contra si muito mais provas de atos ilícitos cometidos do que a Dilma.

E também sem mencionar que quem cuidou do processo no senado (Anastasia e Perrella, para citar os dois mineiros) não são pessoas limpas. O primeiro cometeu o mesmo crime de responsabilidade (do qual acusam Dilma) em Minas e o segundo teve um helicóptero de sua propriedade apreendido com 450 kg de pasta-base de cocaína – coisa que passou batida pela PF – evidenciam que houve, no mínimo, um viés que não deveria existir no processo.

Agora, se você não enxerga que isso é um golpe e que um governo sem qualquer representação de minorias, que extinguiu a secretaria que defendia as pessoas com deficiência não representa um retrocesso no Brasil, acho que nem adiantaria eu continuar. Vista sua camisa da CBF e seja feliz pagando um enorme pato.

Aí falaram que não era golpe e que as instituições brasileiras, em especial o judiciário, estão funcionando de maneira lisa e independente.

Respondi argumentando que concordamos em algumas coisas e discordamos em outras. Especialmente na percepção de que o judiciário está trabalhando. Se assim fosse, não seria nem sido iniciado o processo de impeachment porque o então presidente da câmara tem contra si provas irrefutáveis de atos ilícitos e não deveria estar no cargo naquele momento. O judiciário estaria funcionando se fosse aplicada a mesma lógica que impediu Lula de assumir um ministério quando SETE ministros de Temer que são investigados assumem ministérios.

Persistiram no argumento de que eu não deveria continuar questionando a legitimidade do processo; que o governo da Dilma era ruim e que tem que trocar tudo mesmo.

Do lado de cá, devo confessar, curto muito esta discussão. Acho que estes debates são muito importantes para que todos aprendamos mais.

E as argumentações contra o que falei são muito bacanas. Mas levam para uma interpretação de que “se eles (deputados e senadores) foram eleitos, tem carta branca para fazer o que for dentro da lei”.
Há uma série de possíveis ciladas neste raciocínio.

A primeira é achar que o processo foi legítimo. Não foi. O STF não parece estar atento a isso (estou, claro sendo irônico aqui. O esquema dos pesos e medidas diferentes para a nomeação do Lula e dos 7 ministros sujos na lava-jato do governo Temer é uma clara indicação de que o STF tem algum interesse neste esquema).

A segunda delas é achar que era necessário destituir um governo legítimo sem que fosse apurado qualquer crime de fato. Isso é gravíssimo. O que ocorreu com um governo legítimo sem que qualquer coisa que o desabonasse criminalmente fosse provada é assustador. Por isso a comunidade internacional se move falando do ocorrido como golpe. Porque assim o foi.

A terceira cilada é achar que vai melhorar porque, afinal, tiramos (por meio de processos lícitos) um governo (alegadamente) corrupto. Isso está longe de ser verdade. Se a injustiça ocorrida não te toca de qualquer forma, tudo bem. Mas é ingenuidade demais pro meu gosto argumentar que o fim do MinC é algo positivo. Pode escolher o prisma que você quiser para analisar isso e não sairá um resultado bom. A mesma coisa acerca da secretaria nacional de promoção dos direitos das pessoas com deficiência, que foi extinta pelo ILEGÍTIMO governo do Temer.

A quarta é imaginar que é de responsabilidade de quem votou na Dilma o fato de o Temer estar aí. Ele praticamente jogou o projeto de governo de sua chapa no lixo quando assumiu. Na real, já havia se mostrado um crápula quando vazou aquela cartinha na virada de 2015-2016.

Pensar que isso é certo é a mesma coisa de se forçar ficar casada com uma pessoa que te traiu, porque assim havia sido acordado. Não é. Não é mesmo.

As respostas que recebi foram de que estava agindo meio que em clima conspiratório e que a mídia teria independência no país e isso indica que não há um golpe em curso.

Minha resposta sobre a questão da mídia foi a indicação de que uma ley de medios é do que precisamos. Basta acompanhar o ganhador do Pulitzer Glenn Greenwald no Intercept. Acho que vale  para ver como alguém de fora do país enxerga a presença da mídia no cenário político brasileiro.

E, da mesma maneira que expliquei anteriormente, são duas coisas diferentes:

1 – O governo da Dilma não era bom. Mas era legítimo.
2 – O processo não foi liso. De forma alguma. Só não vê quem não quer.

Ou seja. Estamos vivendo um golpe e muita gente tende a cerrar os olhos para isso. Afinal, às 17:00 tem natação. O que é uma pena.

Não entendeu a referência? Assista este vídeo.

Ah, e um adendo Pra finalizar: posar de isento é a pior coisa que você pode fazer neste momento. Se isentar implica em ignorar algo que está mudando os rumos de um país. Se isso não te afeta de alguma forma, putz… Nem sei mais o que dizer.

Mas os argumentos que defendem o ilegítimo governo de Temer despertam minha genuína curiosidade. Perguntei aos meus interlocutores o que os fazia pensar que não rolou um golpe. Questionei se eles não enxergam perdas que nos retrocedem no tempo nestas primeiras ações de um governo que não é legítimo.

Aí falaram que eu sou petista e que meus argumentos são atacar as pessoas contra o PT.

E, aí, a conversa acabou.

Reativando este espaço com duas dicas de leitura

Então.

Ontem vim para a Colômbia para uma série de eventos para os quais fui convidado a participar aqui na Universidad Cooperativa de Colombia – Cali. É minha segunda vez no país. Em 2014 estive em Medellin para evento semelhante realizado pela Universidad de Medellin.
Será uma semana cheia e, mesmo assim, resolvi reativar este espaço de publicação. Espero que gostem.

Mas, por qual motivo escolhi reativar este blog justamente agora, com tanta coisa para fazer em um país diferente no meio de uma semana tão atribulada?
Bem, porque sim. 🙂

Na verdade já fazia parte dos meus planos há algum tempo reativar este espaço. Mas durante o trajeto BH-Cidade do Panamá, eu reli o livro “The New Rules of Marketing and PR”; o que foi muito bom para reforçar algumas coisas que tinha na cabeça. Uma delas é justamente a importância destes mecanismos de publicação como este humilde blog.

Enfim. Na releitura, o autor menciona o Hubspot e, coincidentemente, também durante o voo, estava ouvindo uma edição do Marketing Over Coffee em que mencionam o Hubspot com uma dica de livro: Disrupted.

Aí juntei a fome (vontade de reativar este espaço) com a vontade de comer (indicar leituras) e estamos aqui com o blog de volta!

Aproveite então para anotar estas duas dicas de leitura:

  1. The New Rules of Marketing and PR (quem assiste minhas aulas de cibercultura e marketing digital conhece muito deste conteúdo, hehe)
  2. Disrupted (que comecei a ler hoje mesmo) 😀

Enfim. Depois me digam o que acham destes livros.