Faxinando

Depois de um tempo matutando, resolvi implementar umas mudanças substanciais em minha presença digital. Isso terá impacto aqui neste espaço.

É que eu estava com 7 domínios diferentes para colocar todas as coisas que se referem às minhas atividades neste lindo rincão digital que é a internet. Resolvi agora concentrar tudo aqui, neste único site.

O quê isso quer dizer, na prática?

Em termos práticos, o que vai acontecer é que você vai encontrar em /asn a minha cópia do que foi o seu podcast predileto sobre comunicação digital e no /pos estão as informações sobre o curso de especialização que coordeno no IEC / PUC Minas (diga-se, com inscrições abertas para a 13ª oferta!).

De igual forma, o site da REDE passa a ocupar o endereço /rede e o arquivo da revista de Design de Interação, meu livreto e as videoaulas sobre o assunto ficam em /di.

Ou seja: o .cc volta a ser como foi lá no começo de sua existência, no longínquo 2001: o único site onde você encontra tudo (como se fosse muita coisa) sobre o Caio Cesar.

Estou organizando as coisas aqui em termos de widgets e menus, mas todos os sites já estão operacionais e com os devidos redirecionamentos funcionando.

Canais de notícias que transmitem ao vivo no YouTube

Nem sempre assinar o “ao vivo” do YouTube vai te proporcionar acesso a canais de TV (especialmente canais de notícias) que transmitam ao vivo, graças à manipulação algorítmica da plataforma. Nesse sentido, preparei um post com links para canais de notícias que transmitem ao vivo pelo YouTube.

A lista, claro, deve ser muito maior. Estes são os que assisto, de quando em vez. Uso e recomendo, tanto para observar notícias a partir de lentes diferentes das que estamos acostumados quanto para treinar a capacidade de audição em outros idiomas e com diferentes sotaques.

Se você souber de algum canal que não esteja nesta lista, sinta-se livre para deixar seu comentário com a recomendação!

Tempo Hábil

Se você ainda não escutou, peço que escute o podcast Tempo Hábil, produzido pela jornalista Jessica Almeida, para o Jornal O Tempo.

É uma excelente produção. A série sobre as eleições municipais de BH está primorosa. Acabo de ouvir a edição sobre as eleições de BH em 2008 e me lembrei deste texto que escrevi à época.

Eu te garanto que, depois de ouvir, você vai avaliar esta produção muito positivamente em qualquer que seja o app que você usa para ouvir podcasts e divulgar, como estou divulgando agora. Produção excelente e que merece todos os méritos.

Um ano de Amazon Prime

Há um ano eu iniciava a minha assinatura no Amazon Prime. Se não fosse o alerta do cartão de crédito me avisando da cobrança da renovação, confesso que nem me lembraria.

Meu maior medo quando eu assinei o Prime há um ano foi justamente o de me esquecer da assinatura e ter gastado o dinheiro sem ter usado o serviço.

Ainda bem que eu estava errado. Nestes 365 dias de Amazon Prime foram 75 pedidos feitos de compras diversas. Teve dia que eu comprei até detergente no Prime. Ou seja, já veio de tudo aqui para casa. Isso sem mencionar as séries e filmes. As produções mais recentes que assisti foram bem bacanas. Essa série com o Orlando Bloom é um bocado divertida.

Bancos

Aproveitando para procrastinar um pouco (há pelo menos três outras coisas que deveria estar fazendo agora) e escrever algumas linhas sobre minhas experiências com o Next, com o Nubank e com o Inter.

Contexto: desde 1996 eu tinha conta no Banco Real (que depois virou ABN-AMRO e por fim se transmutou em Santander). Em 2019 começaram a me cobrar tarifas que eu julguei desnecessárias. Resolvi sair. Já tinha um cartão do Nubank desde 2016 e a migração / consolidação do cartão de crédito foi muito mais simples. Minhas operações de cartão de crédito ficaram consolidadas nesta instituição desde 2016 e não tenho nada a reclamar.

Quando o Nubank disponibilizou função de débito e habilitou conta digital, resolvi testar e gostei. Tanto que até cheguei a solicitar a portabilidade de meu salário para a instituição. O que me impediu foi o fato de a conta do Nubank não ser uma conta-corrente, mas sim conta de pagamentos. Isso me frustrou bastante pois eu dependo muito de pagamento de contas daqui de casa no débito automático e isso simplesmente não é possível com o Nubank. Uma pena.

Passei a buscar outra solução bancária. Demorei a decidir e conseguir abrir uma conta em um banco digital para sair das tarifas. Optei pelo Next em setembro de 2019, pois pertence ao Bradesco e, na minha cabeça, a imagem de solidez de uma instituição bancária é importante.

Passado algum tempo, algumas considerações.

Não sinto qualquer falta de operar meu dinheiro com o Santander. O processo de portabilidade bancária foi muito simples.

O Next é bacana, mas tem algumas limitações que, pra mim, fazem diferença.

A primeira delas é o aplicativo. É muito lento e a curva de aprendizado é bem íngrime. Nunca me adaptei ao tal “flow” que eles propõem. Outro ponto negativo é que, para qualquer transferencia que formos fazer, precisamos criar um contato. Mesmo que seja uma transferencia única e isolada.

Um outro ponto bastante chato no aplicativo é que não podemos cadastrar contas no debito automático. Para colocar minhas contas em debito automático na minha conta do Next eu precisei entrar em contato com cada prestador, ao invés de fazer isso junto ao banco (na minha cabeça isso é mais lógico). Enfim, deu mais trabalho, mas eu consegui. De qualquer maneira, é algo chato.

Outro ponto negativo é que, por algum infortúnio, a biometria nunca funciona a contento com o app do Next. O processo de login no app aqui em meu aparelho é igual encaixar algo na entrada USB, nunca vai de primeira. É sempre na segunda ou terceira tentativa. Quando estou com pressa, isso é bem chato.

Fazer pagamentos também é meio chato, em termos de UX, pelo app do Next. Às vezes campos obrigatórios não ficam claros e tem um lance de tela que me incomoda bastante que é o de campos que precisamos usar o teclado para preencher ficarem escondidos e aí demanda um certo malabarismo para fazer funcionar. Eu até gravaria uma sessão de tela para demonstrar isso, mas falta-me tempo e paciência.

Outra coisa que me incomodou um pouco no Next é que não existe a opção de internet banking. Tudo tem que ser feito pelo app. Eu sinto falta de poder resolver as coisas na janela do navegador em meu computador. Ou seja: na minha cabeça de velho, acho que de vez em quando fazer algo na tela maior do computador é mais confortável do que ter que ficar com o celular tentando resolver tudo.

Então, a soma de todas estas coisas me levou a pensar em migrar minha operação bancária mais uma vez. Acho que farei isso em breve.

Como sou síndico do meu prédio, acabei tendo que abrir uma conta no Inter para poder operar as finanças do condomínio lá. Foi o banco que abriu a conta com menos estresse para o condomínio. A operação das finanças do condomínio tem sido bem simples pelo Inter e o app funciona bem, também o internet banking deles é satisfatório. Claro, teve a questão passada do vazamento de dados dos usuários e isso é MUITO preocupante.

De qualquer forma, estou muito propenso a fazer a migração para operar tudo no Inter. Uma pena o Nubank não ter uma conta-corrente efetiva (a conta do Nubank não é conta-corrente, é conta de pagamentos). Do contrário eu nem pestanejaria e priorizaria fazer tudo por lá. Mas essa limitação tem sido bem chata.

O Inter tem os problemas que eu encontro no Next resolvidos. E uma vantagem bacana do Next (saques na rede 24h ilimitados) operacionais.

Pois bem, depois de um ano operando com o Next, estou com 90%+ de propensão a hibernar minhas atividades lá e migrar pro Inter. Pelo menos enquanto o Nubank não efetiva essa coisa de ter uma conta-corrente de verdade com saques sem tarifa (como não há qualquer indicativo de que qualquer destas coisas aconteça no futuro próximo… Acho que o Nubank vai acabar tendo minha movimentação reduzida).

Uma coisa que me incomoda no Inter, já adianto, é essa sanha por fazer com que eu compre no tal shopping deles. Desabilitei qualquer notificação do app para isso (eu quero banco, gente. Se eu quiser shopping, eu aviso). Vamos ver se funciona.

Outra coisa que me deixa MUITO ressabiado com o Inter é o passado de vazamento de dados (como disse acima). Isso me assusta muito e me deixa de cabelos em pé. Mas tenho acompanhado e, até onde pude ver, é coisa do passado. Entendo que erros acontecem e, pelo que vi, eles estão trabalhando para resolver.

Se a experiência for boa, o limite do cartão for decente e as operações não me frustrarem, acho que vou ficar de Inter.

Questão de nostalgia ou as coisas realmente estão piorando?

Antes da pandemia, conversava com meu cunhado sobre a qualidade das coisas que compramos hoje frente ao que tínhamos no passado. Em específico, referia-me a jogos da Estrela. Lembro-me que o jogo Combate era muito bacana, com peças de qualidade e tudo o mais. Meus filhos ganharam este jogo recentemente e as peças são mal feitas, num plástico de péssima qualidade e com adesivos mal cortados. Para referência, minha esposa mantém desde sua infância um jogo Palavras Cruzadas, cujas peças são de qualidade bastante superior ao que vemos hoje. A sensação que fica é que as coisas de outrora tinham qualidade superior.

Mas enfim. Sobre os brinquedos, falo outra hora. Minha atenção hoje vai para material escolar. Mais precisamente quero falar sobre produtos Faber Castell.

No início do ano, comprei o material escolar para meus filhos e , diferentemente dos anos anteriores, quando, em janeiro, eu tinha uma sensação de ter saído com vantagem comprando tudo bem baratinho e, logo em março já estava passando raiva com a qualidade dos produtos comprados, resolvi fazer diferente.

Todo material foi comprado pensando em qualidade antes do preço. Isso implicou pagar quase o dobro do preço nos lápis de cor, apontadores e correlatos. Escolhi a marca Faber Castell pois pra mim era referência de produto de qualidade. Ainda me lembro de ter falado com a minha mulher: “pagamos mais caro desta vez, mas não vamos ter dores de cabeça com lápis que racham, não apontam, ou que simplesmente não tem cor….

Ledo engano.

Hoje, estava auxiliando minha filha numa tarefa e resolvi apontar os lápis do estojo dela. Apontador e lápis Faber Castell. Comprados no início do ano. Apenas vejam o desastre:

Eu não sei nem o que dizer.

Estava apontando o lápis e vi que ele simplesmente rachou. Dentro do apontador. A coisa mais estranha.

Você pode argumentar que este é um problema localizado, de uma peça apenas. Não sei dizer. Pode até ser que seja. Mas fato é que eu tenho passado muita raiva com este material. E, em minha infância, quando tinha lápis da marca Labra e vez por outra Faber Castell, jamais me lembro de isso acontecer enquanto apontava lápis.

Além disso, os lápis não parecem ter a cor de qualidade (além do problema da fragilidade), sabe? Parece ser produto bem inferior, mesmo.

Já vi que ano que vem precisarei mudar novamente a estratégia na compra do material escolar. Se alguém que ler este texto tiver alguma sugestão, sou todo ouvidos. Apenas sei que não caio mais no conto do vigário e jamais comprarei Faber Castell novamente.

Este texto não termina

Tem um tanto de coisa acontecendo e a gente está perdidinho da silva

Escrevo estas linhas sem saber muito bem para onde vou. Há exatos 31 dias entrei em casa e não mais saí. No máximo fui até a portaria do prédio receber encomendas. Estou em isolamento social na esperança de colaborar para o achatamento da curva de contaminação e tentando proteger o máximo possível de pessoas. 

Trabalhando em casa tenho aprendido que muitas coisas que faço (quase 100% delas) no trabalho consigo realizar remotamente. Tenho dado aulas por meio de transmissões com interação via chat com meus alunos. Funciona legal, mas me faz falta a interação interpessoal. De qualquer forma, a gente vai se virando e acho que o resultado tem sido bom. Talvez este seja um grade aprendizado deste período. A digitalização forçada de vários processos vai acabar nos mostrando que a gente pode (e vai acabar fazendo) fazer coisas de um jeito diferente. Nossa relação com produtividade vai mudar. Nossa relação com trabalho, ensino e as tecnologias digitais interativas está mudando. Esta pandemia tem uma externalidade que ainda não sei se é positiva ou negativa, mas que – tal qual um catalizador – está acelerando transformações. 

O consumo de informações via plataformas sociais cresce absurdamente. O tempo online em cada uma delas tem aumentado desde que iniciamos o isolamento social. Isso me chama a atenção por uma série de questões. Gostaria de compartilhar com você que está lendo este texto para, quem sabe, conversarmos a respeito.

1 – A primeira coisa que este crescimento evidencia é que continuamos juntos, apesar de distantes. Isso é bem clichê, mas é legal de ressaltar. As plataformas (quaisquer que sejam) podem colaborar para aproximar pessoas em diferentes contextos. Este é um deles.

2 – Por outro lado, a maneira que as plataformas funcionam acaba reforçando a criação de uma percepção falsa da realidade. A manipulação algorítmica e as bolhas podem acabar nos levando a crer que comportamentos, opiniões e idéias que circulam em setores por vezes bastante restritos, sejam percebidos como muito mais amplos. Isso pode nos levar a acreditar em algo que não necessariamente confere com a realidade. 

3 – Além disso, tem a questão de como as plataformas selecionam e disponibilizam informações para serem exibidas para nós. A ideia de que se alguma coisa está sendo bastante discutida por pessoas que se assemelham com a gente ser importante para nós, é inicialmente, bem interessante, mas pode, à medida em que o tempo passa, nos afastar de assuntos que, embora não tenhamos indicado (ou pior: nem tenhamos tido a oportunidade de indicar) que sejam importantes para nós, acabam por desaparecer de nossos radares porque a plataforma assim julgou. Isso pode ser muito ruim para todos. Nesse sentido, é muito importante 

4 – Um outro cuidado que precisamos tomar refere-se ao conteúdo que circula. As plataformas já sinalizaram que não estão muito preocupadas verdadeiramente com o que circula em cada uma delas. O que elas precisam é que estejamos lá. Se estivermos lá, poderemos consumir anúncios e é disso que elas vivem. Quanto mais tempo ficamos, mais indicamos do que gostamos (cada clique ensina algo novo para a plataforma) e, assim, podemos ser alvo de ações de comunicação bem direcionadas e, portanto, mais efetivas – para os anunciantes. Em tese, isso não é ruim. O que pode ser bastante prejudicial é que, por não estarem muito preocupadas com o teor da informação que circula, ações de desinformação tem terreno fértil. E isso pode ser bastante perigoso. Além disso, tem a questão da superexposição. Somos encorajados a compartilhar mais e mais sobre nós nestes espaços. E isso pode facilmente fugir do controle, não só pensando na questão da proteção das nossas informações e da nossa privacidade, mas também por duas questões que me preocupam de maneira especial. A primeira delas refere-se à governança dessas informações. É comum as plataformas nos levar a crer que as coisas que colocamos ali somem rápido. Algumas funcionalidades amplamente adotadas até funcionam dessa forma, disponibilizando conteúdo para nossas audiências por um período curto (digamos, 24 horas) e a gente acaba achando que depois deste tempo, este conteúdo some. Só que não é bem assim. Pode até ser que a gente ou quem nos segue não vai mais ver aquele conteúdo. Mas a plataforma não necessariamente apagou aquele material. Não há qualquer garantia de que aquilo tenha sido apagado. 

Eu avisei. Este texto não termina.

Ainda Sem Nome

Ainda Sem Nome foi um podcast sobre comunicação digital e áreas correlatas feito por mim e pelo meu colega Felipe Menhem. Foram 135 episódios semanais, com duração média de 45 minutos, produzidos entre 2011 e 2017 (todos em áudio; alguns também em vídeo). O objetivo era conversar e debater sobre qualificação de mercado, tendências, clientes, boas (e más) práticas, eventos, redes sociais e o que mais desse na telha. Não raro, apareceram alguns convidados.

O site do podcast era o aindasemno.me, mas perdemos o domínio por falta de pagamento 🙂

Imbuídos pela nostalgia e também pelo hype em torno dos podcasts em 2019, resolvemos retomar os arquivos e republicá-los. o processo demandou uma revisão dos meus parcos conhecimentos de mysql, o que foi gratificante. Consegui recuperar todos os posts e episódios. Os comentários ficam para uma outra oportunidade. De qualquer forma, você pode acessar o acervo do podcast que agora está repousando em www.caiocgo.com/asn.

Refletindo sobre a ambígua característica das plataformas sociais

Logo após o massacre impingido pela Polícia Militar do Estado de São Paulo em Paraisópolis, na madrugada do dia 01 de dezembro de 2019, um vídeo começou a circular nas plataformas sociais retratando uma reunião entre moradores do Morumbi, bairro vizinho de Paraisópolis e o comando do 16º Batalhão da PM. O vídeo não foi gravado após o massacre, mas sim vem do documentário Entremundo, de Thiago Brandimarte Mendonça e Renata Jardim, feito em 2015. O trecho que circulou foi editado a partir de dois pontos do documentário. O primeiro começa aos 13:50 e depois outro pedaço vem de 18:00. Veja o vídeo que circulou.

https://www.youtube.com/watch?v=rIFmUlRC1vE

Além de mostrar o ódio que os ricos sentem dos pobres no Brasil (não imagino que isso seja novidade para você), neste trecho há uma coisa muito importante, que passou desapercebida por muitos.

Não é o cara de terno e gravata falando cidaões (sic). Não é também o cara pedindo para “limpar” Paraisópolis. 

O que quero ressaltar é uma frase impactante. Acho que dá para desenvolver algo a partir dela. Na frase, destacada a seguir a partir de um trecho de uma intervenção de um morador do Morumbi, pode-se perceber algo importante para desenvolvermos uma visão um pouco mais crítica das plataformas sociais:

“(…) olha, se tivesse um Batman – eu já escrevi isso várias vezes – se tivesse um Batman; um Batman na rua, ia matar todo mundo aí”

(referindo-se, obviamente à população de Paraisópolis)

Este trecho, bem pequeno, que passou batido para praticamente todo mundo que compartilhou e reverberou o vídeo editado, me acendeu uma luzinha importante, que se relaciona com muito do que venho discutindo sobre as plataformas de mídia e de rede social. 

As plataformas proporcionam a catalise de uma coisa que é, ao mesmo tempo, o maior benefício e o maior malefício da Internet como ambiente de comunicação: qualquer um pode postar o que quiser.

Obviamente as pessoas podiam postar o que queriam antes de existirem e serem amplamente adotadas as plataformas sociais. Mas estas plataformas, como disse, proporcionam uma aceleração e alcance sem precedentes, funcionando como um catalisador. 

Observando a frase destacada da fala do morador do Morumbi, não é exatamente a catalise que assusta, mas o fato de este morador usar em sua narrativa o argumento de que “já escrevi isso várias vezes”. É aí que quero chegar. As plataformas sociais permitem que falemos o que bem quisermos. Recebemos, por isso, likes e comentários; que acabam nos estimulando a falarmos mais e mais porque estes ativos intangíveis evidenciam o ganho de capital social, tão importante em redes sociais (digitais ou não). 

A dinâmica social que percebemos em plataformas como o Facebook, Instagram e WhatsApp é bem semelhante à que vemos no trecho do vídeo. No trecho temos pessoas que pensam de forma semelhante e que se apoiam reunidas no espaço restrito do batalhão de polícia (um grupo de WhatsApp ou de Facebook apresenta dinâmica bastante semelhante) e que aprovam ou dão suporte ao que membros falam ao concordarem balançando suas cabeças e proferirem “humhum”, “é isso mesmo” ou apenas sorrindo. Nestes ambientes, falamos o que queremos.

Se não encontramos voz dissonante ou comentário contrário ao que foi falado, acabamos por acreditar que falamos algo importante e que pode ser repetido. Esta é a dinâmica perigosa.

Como estamos vivendo um período em que discordar é algo desvalorizado e que buscamos nos aproximar apenas daqueles que concordam com a nossa visão de mundo, corremos o risco de desenvolvermos a falsa sensação de que tudo o que falamos e pensamos é correto.

O cidadão do vídeo, que se gaba por já ter escrito isso várias vezes (provavelmente em grupos do FB ou do WhatsApp), não se sente constrangido de dizer que gostaria de ver alguém matando pessoas de quem não gosta ou por quem não nutre simpatia. Como ninguém provavelmente jamais disse a ele que desejar a morte de pessoas não é uma coisa bacana, ele não se sente minimamente acanhado de revelar esta sua vontade. 

E esta é a dinâmica que impera nas plataformas sociais. Como Han fala exaustivamente, a negatividade é evitada a todo custo na sociedade contemporânea. Vivemos evitando qualquer coisa que nos faça ter que discutir. A problematização de questões é vista como negativa e queremos distância disso como sociedade. Textos longos são evitados e ridicularizados. Vale o meme e o riso fácil. Embora muitos memes tragam importantes reflexões, o que se vê é o trabalho de superfície; aquilo que traz o riso fácil e rápido. Ao invés de discutir e problematizar, cancelamos.

Enfim, o comportamento natural contemporâneo é o de evitarmos embates e nos cercarmos apenas daquelas fontes de informações com as quais concordamos a priori. Tiramos conclusões rápidas a partir de títulos compartilhados. Não clicamos nos links; compartilhamos, curtimos e seguimos adiante.

Tendemos a ignorar / deixar de seguir ou bloquear aquelas pessoas e fontes de informação com as quais discordamos, apenas as pessoas que concordam com a gente vai ver o que a gente posta e acabar interagindo com nossas postagens. A ausência de vozes que discordam do que falamos acaba por criar em nós a ilusão de que aquilo que falamos é a verdade; afinal, ninguém nos disse que não é. Então, é.

Nesse sentido, não há espaço mais adequado para a perpetuação deste comportamento que uma plataforma social que me permite este controle, de ver apenas o que eu quero ver e de falar o que eu quero para que pessoas que concordam comigo possam concordar e replicar a mensagem. 

Este ambiente, o ambiente de uma plataforma social, é o ambiente onde aquele morador do Morumbi “escreveu várias vezes” e que validou a sua fala estapafúrdia, que torna externa a vontade de matar as pessoas de quem não gosta. Estamos todos, de uma forma ou de outra, nos comportando como este morador do Morumbi. Não que todos tenhamos vontade de matar outras pessoas como ele, mas fato é que estamos falando apenas coisas rasas para pessoas que concordam sem querer conversar e assim o ciclo vai se perpetuando.

Eu acho que é sobre isso (e como escapar disso) que devemos conversar em 2020, e daí para sempre. Como fazer? Eis a questão. Tem uma ideia? Comente. Vamos conversar em busca de uma resposta ou ao menos um caminho.

Para quem se interessou, eis o documentário completo, publicado no YouTube pelo Le Monde Diplomatique Brasil:

https://www.youtube.com/watch?v=emj6jqA6Ywg

A profusão das notificações

As notificações carregam parte da culpa por nos sentimento constante de ansiedade e de incapacidade de mantermos-nos atualizados com o que acontece com o mundo nos dias atuais. Fato.

Fato também que gestores têm abusado deste recurso. Seja durante a navegação em um site (como no caso do Metrópoles, abaixo)…

…ou durante a experiência de uso de um aplicativo (como no caso do Rappi, a seguir).

Pelo video acima, dá para ver meu nível de tolerância com essa quantidade de notificações. No caso do Rappi foram 07 notificações em 3 horas de app instalado.

Pela madrugada, né? Usar um app ou acessar a web hoje em dia está uma verdadeira luta.

Toda vez que vejo isso…

Toda vez que vejo uma ação de comunicação com o argumento de que tal empresa é “o Uber de XXX” ou “o Netflix de XXX” logo me lembro das sábias palavras da Lisa Simpson quando Marge fala da universidade McGill, num episódio da 22ª temporada:

E eis que isso ocorreu novamente há pouco:

Em outras palavras, o que a Lisa quer dizer (e que todo mundo deveria ouvir) é que “qualquer coisa que se denomina “o XXX do YYY” na verdade é o nada do nada”. Isso se aplica a muitos empreendimentos que apenas se espelham em outros. Não há identidade; capacidade distintiva… Enfim. Não há nada que os identifique, a não ser a sua semelhança (cópia) de uma outra coisa.

Ou seja: ainda há muito o que evoluir… 🙂