Este texto ainda é um rascunho.

As dinâmicas sociais que acontecem no Twitter fazem dele uma plataforma chave para a disseminação de informação. Não pelo alcance ou mesmo pelas conversas, mas pelo simples fato de que pessoas chave estão lá. O Twitter não é a plataforma com o maior número de usuários e nem tem o maior tráfego, mas o que ocorre Larissa reverbera muito.

Em sua configuração atual a plataforma serve como espaço perfeito para a manipulação do discurso a partir da movimentação de robôs para impulsionamento de hashtags específicas que acabam pautando a mídia de massa. Daí, o assinto cai nas conversas das pessoas e aos interessados basta colher os resultados.

Semana passada eu participei do programa Panorama, da TV ALMG, onde conversamos sobre a aquisição do Twitter pelo Elon Musk e os possíveis caminhos da plataforma.

Uma coisa que eu acho que pode ser legal e que consta no rol de propostas do Elon Musk para o Twitter é a validação individual de usuários. A iniciativa é controversa pois, dependendo de como sua implementação for executada, pode colocar pessoas em situação de perseguição por parte de governos autoritários. Mas há formas de operacionalizar isso sem ter esta externalidade possivelmente danosa. De qualquer forma, entendo que a validação individual pode ser bacana porque tem o potencial de acabar com contas falsas e bots. Isso será de grande ajuda no processo de combate à disseminação de ações de desinformação.

Como hoje o Twitter opera em função da venda de publicidade, a existência de contas falsas e robôs ajuda a empresa inflando o número de usuários e compondo gráficos que a plataforma usa para vender anúncios nos nossos feeds. Outra coisa que acontece é que, ao ancorar seu faturamento na venda de espaços publicitários, o Twitter precisa manipular o feed algoritmicamente de forma que marcas precisem pagar para fazer com que seus posts cheguem aos públicos de interesse.

Este é o meu maior incômodo com a plataforma na corrente configuração. O alcance orgânico das postagens é sempre uma fração do seu potencial. Digamos… se um perfil tem 100 seguidores na plataforma e posta uma mensagem, apenas uma parte (de acordo com pesquisa que eu fiz há alguns anos, a média é de 37%) de seus seguidores enxergarão a postagem em seus feeds. Acho isso bastante contraproducente em termos de sistema e utilidade para as pessoas. No entanto, este é um formato que agrada bem a plataforma, pois gera a demanda para que perfis que explorem comercialmente a presença ali acabem por pagar por impulsionamento.

Para se ter uma ideia deste desafio relacionado ao alcance de mensagens no Twitter, vamos a um caso prático. Eu postei o vídeo de minha participação no programa de TV em diferentes plataformas. Abaixo, um breve reporte destas postagens e o que se pode ter sobre o alcance delas.

Embora meu esforço rápido aqui não tenha contabilizado a quantidade de visualizações que a postagem teve no Instagram e no Facebook (estas plataformas não fornecem estes dados diretamente em seus aplicativos) é possível perceber pela quantidade de reações (likes / curtidas) que o alcance foi maior do que o que eu tive no Twitter.

Ou seja: para uma mensagem chegar a um número grande de pessoas no Twitter, é preciso que pessoas chave vejam esta postagem e decidam reverberá-la (curtindo, comentando ou compartilhando). Voltamos para a questão de rede social que é a necessidade de ser bem conectado na plataforma. Não basta ter um número grande de seguidores. Você precisa ter os seguidores certos no Twitter.

Do outro lado, ou seja, do lado de quem está na plataforma para consumir informações, esta forma de funcionar é muito ruim, pois os usuários optam por seguir perfis porque se interessam pelo conteúdo que estes perfis postam. Como a plataforma não mostra tudo para eles, há um gargalo que não está sendo resolvido.

Em função desta limitação, entendo que plataformas que proporcionem alcance orgânico mais alto podem ser mais interessantes. Nessa toada, entendo que o Mastodon tem todo o potencial para resolver isso. No Mastodon temos alcance orgânico pleno (ou seja: o seu alcance orgânico efetivo é igual ao alcance potencial). Em outras palavras, tudo o que você posta vai ser mostrado no feed de quem te segue. Isso faz com que esta plataforma seja de verdade aquilo que o Elon Musk argumenta que o Twitter seja: a arena pública de discussão.

Em termos de desenho de plataforma e de potencial o Mastodon é uma plataforma muito superior. Os administradores de instâncias podem trabalhar a moderação de conteúdo e inclusive tratar da conexão (ou não) com outros servidores. Isso faz com que restrições específicas de conteúdo por tipo ou perfil possam ser operacionalizadas. Enfim. É uma dinâmica que tem um potencial muito bacana e que eu convido você a dar uma olhada. Eu estou lá no mastodon.online. Esta é apenas uma instância. Existem várias outras.

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