Um ano de Amazon Prime

Há um ano eu iniciava a minha assinatura no Amazon Prime. Se não fosse o alerta do cartão de crédito me avisando da cobrança da renovação, confesso que nem me lembraria.

Meu maior medo quando eu assinei o Prime há um ano foi justamente o de me esquecer da assinatura e ter gastado o dinheiro sem ter usado o serviço.

Ainda bem que eu estava errado. Nestes 365 dias de Amazon Prime foram 75 pedidos feitos de compras diversas. Teve dia que eu comprei até detergente no Prime. Ou seja, já veio de tudo aqui para casa. Isso sem mencionar as séries e filmes. As produções mais recentes que assisti foram bem bacanas. Essa série com o Orlando Bloom é um bocado divertida.

Blacklight e rastreadores

O Blacklight é uma iniciativa conduzida pelo The Markup que funciona como um monitor de rastreadores em tempo real. Neste contexto de capitalismo de vigilância em que vivemos, saber quem está te rastreando é muito importante.

Um site que visito com frequência e que sempre me importuna com uma série de notificações é o dO Tempo, jornal daqui de BH. Resolvi fazer um teste de como o Blacklight enxerga o portal e olha no que deu:

Não é pouca coisa, não. 🙁

Bancos

Aproveitando para procrastinar um pouco (há pelo menos três outras coisas que deveria estar fazendo agora) e escrever algumas linhas sobre minhas experiências com o Next, com o Nubank e com o Inter.

Contexto: desde 1996 eu tinha conta no Banco Real (que depois virou ABN-AMRO e por fim se transmutou em Santander). Em 2019 começaram a me cobrar tarifas que eu julguei desnecessárias. Resolvi sair. Já tinha um cartão do Nubank desde 2016 e a migração / consolidação do cartão de crédito foi muito mais simples. Minhas operações de cartão de crédito ficaram consolidadas nesta instituição desde 2016 e não tenho nada a reclamar.

Quando o Nubank disponibilizou função de débito e habilitou conta digital, resolvi testar e gostei. Tanto que até cheguei a solicitar a portabilidade de meu salário para a instituição. O que me impediu foi o fato de a conta do Nubank não ser uma conta-corrente, mas sim conta de pagamentos. Isso me frustrou bastante pois eu dependo muito de pagamento de contas daqui de casa no débito automático e isso simplesmente não é possível com o Nubank. Uma pena.

Passei a buscar outra solução bancária. Demorei a decidir e conseguir abrir uma conta em um banco digital para sair das tarifas. Optei pelo Next em setembro de 2019, pois pertence ao Bradesco e, na minha cabeça, a imagem de solidez de uma instituição bancária é importante.

Passado algum tempo, algumas considerações.

Não sinto qualquer falta de operar meu dinheiro com o Santander. O processo de portabilidade bancária foi muito simples.

O Next é bacana, mas tem algumas limitações que, pra mim, fazem diferença.

A primeira delas é o aplicativo. É muito lento e a curva de aprendizado é bem íngrime. Nunca me adaptei ao tal “flow” que eles propõem. Outro ponto negativo é que, para qualquer transferencia que formos fazer, precisamos criar um contato. Mesmo que seja uma transferencia única e isolada.

Um outro ponto bastante chato no aplicativo é que não podemos cadastrar contas no debito automático. Para colocar minhas contas em debito automático na minha conta do Next eu precisei entrar em contato com cada prestador, ao invés de fazer isso junto ao banco (na minha cabeça isso é mais lógico). Enfim, deu mais trabalho, mas eu consegui. De qualquer maneira, é algo chato.

Outro ponto negativo é que, por algum infortúnio, a biometria nunca funciona a contento com o app do Next. O processo de login no app aqui em meu aparelho é igual encaixar algo na entrada USB, nunca vai de primeira. É sempre na segunda ou terceira tentativa. Quando estou com pressa, isso é bem chato.

Fazer pagamentos também é meio chato, em termos de UX, pelo app do Next. Às vezes campos obrigatórios não ficam claros e tem um lance de tela que me incomoda bastante que é o de campos que precisamos usar o teclado para preencher ficarem escondidos e aí demanda um certo malabarismo para fazer funcionar. Eu até gravaria uma sessão de tela para demonstrar isso, mas falta-me tempo e paciência.

Outra coisa que me incomodou um pouco no Next é que não existe a opção de internet banking. Tudo tem que ser feito pelo app. Eu sinto falta de poder resolver as coisas na janela do navegador em meu computador. Ou seja: na minha cabeça de velho, acho que de vez em quando fazer algo na tela maior do computador é mais confortável do que ter que ficar com o celular tentando resolver tudo.

Então, a soma de todas estas coisas me levou a pensar em migrar minha operação bancária mais uma vez. Acho que farei isso em breve.

Como sou síndico do meu prédio, acabei tendo que abrir uma conta no Inter para poder operar as finanças do condomínio lá. Foi o banco que abriu a conta com menos estresse para o condomínio. A operação das finanças do condomínio tem sido bem simples pelo Inter e o app funciona bem, também o internet banking deles é satisfatório. Claro, teve a questão passada do vazamento de dados dos usuários e isso é MUITO preocupante.

De qualquer forma, estou muito propenso a fazer a migração para operar tudo no Inter. Uma pena o Nubank não ter uma conta-corrente efetiva (a conta do Nubank não é conta-corrente, é conta de pagamentos). Do contrário eu nem pestanejaria e priorizaria fazer tudo por lá. Mas essa limitação tem sido bem chata.

O Inter tem os problemas que eu encontro no Next resolvidos. E uma vantagem bacana do Next (saques na rede 24h ilimitados) operacionais.

Pois bem, depois de um ano operando com o Next, estou com 90%+ de propensão a hibernar minhas atividades lá e migrar pro Inter. Pelo menos enquanto o Nubank não efetiva essa coisa de ter uma conta-corrente de verdade com saques sem tarifa (como não há qualquer indicativo de que qualquer destas coisas aconteça no futuro próximo… Acho que o Nubank vai acabar tendo minha movimentação reduzida).

Uma coisa que me incomoda no Inter, já adianto, é essa sanha por fazer com que eu compre no tal shopping deles. Desabilitei qualquer notificação do app para isso (eu quero banco, gente. Se eu quiser shopping, eu aviso). Vamos ver se funciona.

Outra coisa que me deixa MUITO ressabiado com o Inter é o passado de vazamento de dados (como disse acima). Isso me assusta muito e me deixa de cabelos em pé. Mas tenho acompanhado e, até onde pude ver, é coisa do passado. Entendo que erros acontecem e, pelo que vi, eles estão trabalhando para resolver.

Se a experiência for boa, o limite do cartão for decente e as operações não me frustrarem, acho que vou ficar de Inter.

É tão ruim quando isso acontece

A insistência do Google para que a gente use o Chrome em todos os lugares chega a ser chata.

Tem uma coisa que sempre me incomodou e agora resolvi documentar e registrar. Sempre que indicamos no app do YouTube que queremos que um link externo seja aberto no navegador padrão do telefone (no meu caso, o Safari), ele acaba abrindo um navegador interno do app do YouTube. Isso é extremamente irritante por uma série de motivos. Veja, abaixo, isso acontecendo.

O que se sabe é que, ao usarmos o Chrome (ou o navegador dentro do app do YT), estaremos fornecendo mais e mais dados para esta empresa (Google). Pode parecer algo inofensivo para muitos, mas a real é que não é nada inofensivo. É algo que deveria ser bloqueado por todos.

Uma coisa que incomoda profundamente é que a gente escolhe ativamente não querer uma coisa e a corporação simplesmente ignora a escolha que acabamos de fazer. Acho isso ultrajante e de um desrespeito descomunal para com as pessoas.

Parece não haver limites para essa canalhice, não é? Enfim. Odeio quando isso acontece.

Buscas e mais buscas

Não sei quanto a você, mas eu já não uso o Google como meu principal buscador há tempos. Em todos os meus navegadores, o mecanismo padrão de buscas é o DuckDuckGo. Ele é bem bacana e tem uma performance muito adequada para as minhas necessidades. Imagino que para as de todas as pessoas seja a mesma coisa.

Eventualmente, claro, para buscas locais, uso o Google. Posso não gostar da política de coleta extensiva de dados deles, mas devo reconhecer que para buscas específicas, como locais em minha cidade ou textos acadêmicos, ele manda bem. Apenas prefiro não usar no meu dia a dia.

Recentemente descobri o startpage eo Qwant e gostaria de deixar estas duas recomendações a vocês. São dois mecanismos com principios éticos bem interessantes de evitar o rastreio dos usuários.

Minha sugestão é fazer uma busca pelo mesmo termo em cada um destes mecanismos de busca e comparar os resultados. Você vai ver que – para a maioria das coisas que precisamos – mecanismos de buscas que não coletam dados pessoais dos usuários podem ser tão bons (por não coletarem os dados das pessoas, eu diria até que são melhores) do que aqueles que a maior parte das pessoas pensam ser prevalentes.

Dark Pattern no app do Magazine Luiza

Dark patterns são recursos bastante antigos e conhecidos das pessoas que trabalham com Design de Interação.

Se você não os conhece, tudo bem. Um bom lugar para aprender sobre eles é esta publicação da Communications of the ACM.

Rápido contexto

De forma a dar o contexto para esta postagem, vale explicar rapidamente que dark patterns são práticas que acabam por direcionar uma pessoa a tomar uma atitude que vai beneficiar uma empresa e prejudicar o individuo. Às vezes um dark pattern vem com uma afirmação contendo uma dupla negativa, que força o usuário a concordar com algo que – normalmente – não concordaria. Ou então pode vir em forma de um countdown falso, para te dar a impressão de que trata-se de uma oferta que está acabando, e você se vê forçado a decidir rapidamente o que deve fazer (e acaba comprando algo sem pensar muito a respeito).

Companhias aéreas são famosas por aplicar dark patterns em seus sistemas, indicando que os assentos com valor promocional estão acabando ou escondendo um checkbox (já devidamente checado) em que o usuário concorda em contratar um serviço extra sem nem perceber que está fazendo.

Outras empresas famosas por usar dark patterns são bancos e companhias de seguro. Daí já dá para sacar que a aplicação de um dark pattern não é das coisas que as empresas mais legais fazem (#fikdik). Em aplicativos, é muito comum ver dark patterns naquelas iniciativas feitas para ludibriar os usuários que instalam algo engraçadinho (tipo um joguinho) e, sem perceber, acabam assinando um serviço de horóscopo (ou algo que o valha) que custa os olhos da cara. Para complementar, o cancelamento é sempre complicado (por este motivo do cancelamento complicado eu tenho uma piada interna de que a Adobe é um grande dark pattern disfarçado de bloatware).

Enfim. O caso em questão.

E quando quem aplica o que parece ser um belo de um dark pattern é a empresa super marota, com a mascote simpaticona que todo mundo ama falar bem, como faz?
Bem. A gente faz quando qualquer empresa pratica um dark pattern. A gente indica e recomenda que as pessoas tomem cuidado. É o que estou fazendo agora.

Ultimamente tenho visto muitos elogios ao super app do Magazine Luiza. Resolvi instalar. Confesso que não me recordo de ter comprado lá num passado recente. A ideia dos super apps é interessante e tem um tanto de gente aqui no Brasil (além do Magazine Luiza, o Inter está nessa) tentando emplacar isso de ser um super app (nos moldes do We Chat). Enfim. resolvi experimentar e instalei o aplicativo. De cara, uma coisa que chamou a minha atenção foi a quantidade de notificações vazias. De tempos em tempos vejo o app com o icone vermelhinho de notificação indicando que há um número X de coisas lá pra mim. Quando clico, além de ser um numero real inferior de informações, elas são pouco relacionadas comigo.

Isso não é o pior dos dark patterns, mas não deixa de indicar uma prática não muito legal. Quem faz isso com muita frequência é o LinkedIn, que me enche de avisos sobre pessoas com N graus de distância que curtiram algo que pode vir a ser de meu interesse. Normalmente, não é.
Como disse, é um tipo de ação que visa que a gente clique para ver qual é a das notificações e acabe ficando por lá.

Prática boba, porém nada bem intencionada.

Ontem, resolvi documentar a coisa e postei o vídeo abaixo no instagram. Marquei a mascote simpaticona para ver o que me esclareciam. Afinal, pode muito bem ser um bug, né (vamos dar o benefício da dúvida)?

Infelizmente não saberei se é um bug ou se é mesmo um belo dark pattern aplicado para fazer as pessoas clicarem mais no app (growth hacking que o povo adora chamar).

Para que eles interajam comigo, preciso indicar o meu CPF.

Faz parte, né? Quem nunca passou na porta de uma loja da rede e, para saber uma informação, não teve que dar o seu CPF?

Eu acho que sou muito implicante, né?

😉

ps: adorei a piscadela que a mascote simpaticona mandou ao final da mensagem. me fez me sentir bem mais próximo da empresa. Me senti conversando com a Ivete Sangalo. /sarcasmo

pps: abaixo, uma representação do meu sentimento ao receber o comentário / pedido do meu cpf da mascote simpaticona.

Sons do sistema em vídeos compartilhados com a tela no MS Teams

A quarentena e o isolamento social fizeram com que muitos hábitos fossem alterados. Em meu caso, passei a usar um segundo navegador (Microsoft Edge, que recomendo) e também a dar aulas usando o MS Teams.

O Teams é muito bom. Você pode fazer muitas coisas durante uma conferência. Funciona muito bem em diferentes plataformas e é bastante robusto. No Windows, compartilhar o áudio do sistema é bastante simples, basta clicar em um checkbox.

Já para quem usa Mac, a coisa é diferente. Para os usuários desta plataforma, não há jeito simples de compartilhar o áudio do sistema. Embora existam planos para tanto, a comunidade (como nós) está em busca desta funcionalidade.

Enquanto a funcionalidade não vem, é necessário criar um dispositivo virtual de áudio. Ou seja: vamos juntar diferentes fontes de áudio via software e falar para o Teams que este dispositivo virtual é o nosso microfone.

Há pelo menos três soluções nesse caminho.

1 Blackhole – A primeira não funcionou pra mim. Pode ser que funcione para vocês. Chama-se Blackhole. É um software gratuito. Este rapaz fez um tutorial bacana. Eu segui o passo-a-passo, mas não consegui fazer funcionar a contento. Quem quiser, pode seguir os passos dele.

2 Sound Siphon – A segunda não é grátis. Chama-se Sound Siphon. É a que eu uso. Ele pode ser baixado daqui a custa 49 dólares. Há a possibilidade de uma versão educacional por 29. Já pedi este desconto e vou comprar. Eles ainda não me enviaram o cupom. Enquanto isso, dá para usar por 14 dias no modo de experiência. Funciona bem.

Na imagem acima mostro como eu fiz o meu setup. É bem simples. Eu criei um dispositivo virtual chamado “Mic+Sistema”. Nele coloquei todas as fontes de áudio do sistema e também o microfone que uso. Pronto. Aí no Teams, eu falo que este dispositivo é o meu microfone.

3 Loopback – A terceira é a mais fácil e intuitiva. Porém, é a mais cara. Chama-se Loopback. O funcionamento é semelhante aos demais, mas mais fácil de usar. Custa mais caro também. Perto de cem dólares. Neste vídeo vocês podem ver como fazer o app funcionar.

Espero ter ajudado. Acho que para cada necessidade e tempo de fazer funcionar há uma resposta adequada. Eu gostei do Siphon. Achei que foi bem interessante. Talvez valha para vocês.

Escola Casey Neistat de edição de vídeos

Tenho percebido, em produções no YouTube, uma certa tendência – que é muito bacana, diga-se – de casar bem a montagem e o sequenciamento dos vídeos e a trilha escolhida.

O lance, no entanto, é que receio que acabemos ficando como estamos com sites: tudo muito parecido.

Tenho chamado esta tendência de “Escola Casey Neistat de edição de vídeos”.

Original:

Influência direta:

Influência perceptível:

Dois links e uma reflexão sobre o TikTok

O primeiro link vem de uma notícia publicada na Forbes. O segundo link vem de um comentário no Reddit. Recomendo a leitura.

As duas referências acima falam do TikTok e de como este App está sugando dados das pessoas. 

Não é algo exclusivo do TikTok, no entanto, merece especial atenção.

Todas as plataformas sociais que operam baseando suas receitas financeiras em publicidade tem este mesmo problema, que é grave para o usuário. 

Para proporcionar o melhor resultado possível para anunciantes e, portanto, faturar mais, estes empreendimentos coletam e exploram dados dos usuários. 

Esta é uma grave questão de privacidade e devemos ficar atentos a isso.

Nesse sentido, a recomendação óbvia é a de manter distância delas. Todas as que operam baseadas em venda de publicidade.

Falei bastante da emergência do TikTok nos últimos meses; sempre olhando o aspecto positivo da plataforma. Mas convém observarmos agora a plataforma (de mesmo modo que olhamos todas as outras) com olhar especialmente crítico.

Estamos vivendo um contexto em que parece estar sendo normalizado o fato de que nossa privacidade deixou de existir. Isso é grave.

FaceApp

De repente um monte de “especialista” em cibersegurança em todos os lugares falando do aplicativo que envelhece e troca de gênero.

As mesmas pessoas, no entanto, não ligam de usar 4 aplicativos que coletam todo tipo de dado para a empresa que já demonstrou ter zero cuidado ou apreço pelas informações de seus usuários.

Não é irônico?

A empresa é o Facebook.
Os apps são Facebook, Messenger, Instagram e WhatsApp.

Questão de nostalgia ou as coisas realmente estão piorando?

Antes da pandemia, conversava com meu cunhado sobre a qualidade das coisas que compramos hoje frente ao que tínhamos no passado. Em específico, referia-me a jogos da Estrela. Lembro-me que o jogo Combate era muito bacana, com peças de qualidade e tudo o mais. Meus filhos ganharam este jogo recentemente e as peças são mal feitas, num plástico de péssima qualidade e com adesivos mal cortados. Para referência, minha esposa mantém desde sua infância um jogo Palavras Cruzadas, cujas peças são de qualidade bastante superior ao que vemos hoje. A sensação que fica é que as coisas de outrora tinham qualidade superior.

Mas enfim. Sobre os brinquedos, falo outra hora. Minha atenção hoje vai para material escolar. Mais precisamente quero falar sobre produtos Faber Castell.

No início do ano, comprei o material escolar para meus filhos e , diferentemente dos anos anteriores, quando, em janeiro, eu tinha uma sensação de ter saído com vantagem comprando tudo bem baratinho e, logo em março já estava passando raiva com a qualidade dos produtos comprados, resolvi fazer diferente.

Todo material foi comprado pensando em qualidade antes do preço. Isso implicou pagar quase o dobro do preço nos lápis de cor, apontadores e correlatos. Escolhi a marca Faber Castell pois pra mim era referência de produto de qualidade. Ainda me lembro de ter falado com a minha mulher: “pagamos mais caro desta vez, mas não vamos ter dores de cabeça com lápis que racham, não apontam, ou que simplesmente não tem cor….

Ledo engano.

Hoje, estava auxiliando minha filha numa tarefa e resolvi apontar os lápis do estojo dela. Apontador e lápis Faber Castell. Comprados no início do ano. Apenas vejam o desastre:

Eu não sei nem o que dizer.

Estava apontando o lápis e vi que ele simplesmente rachou. Dentro do apontador. A coisa mais estranha.

Você pode argumentar que este é um problema localizado, de uma peça apenas. Não sei dizer. Pode até ser que seja. Mas fato é que eu tenho passado muita raiva com este material. E, em minha infância, quando tinha lápis da marca Labra e vez por outra Faber Castell, jamais me lembro de isso acontecer enquanto apontava lápis.

Além disso, os lápis não parecem ter a cor de qualidade (além do problema da fragilidade), sabe? Parece ser produto bem inferior, mesmo.

Já vi que ano que vem precisarei mudar novamente a estratégia na compra do material escolar. Se alguém que ler este texto tiver alguma sugestão, sou todo ouvidos. Apenas sei que não caio mais no conto do vigário e jamais comprarei Faber Castell novamente.

Muriel Deacon

Muriel Deacon é uma personagem da série Years and Years. Se você não assistiu a série, faça a si mesmo este favor e assista. São apenas seis episódios. Te garanto que vai valer a pena.

A série mostra um futuro possível muito próximo. Imediato. É assustadora a semelhança com o contexto atual que vivemos. Como muitas produções da BBC (Black Mirror sendo o exemplo mais famoso) é uma crítica ao nosso presente.

O trecho acima é retirado do penúltimo episódio. Eu acho que ele é bem bacana para nos ajudar e nos motivar sobre decisões importantes que precisamos tomar para que evitemos chegar a um futuro tão estranho quanto o que a série mostra.

Como o meu contexto atual é o de olhar as plataformas como objeto de estudo, minha interpretação deste monólogo se encaixou fortemente com a questão de como precisamos sair delas o quanto antes para podermos evitar um futuro horrível. As indicações de que as plataformas agem ativamente para nos prejudicar como cidadãos estão aí. Só não percebe quem não quer. A edição de hoje da “The Interface” me motivou juntar o monólogo da Muriel com esta reflexão e postar estas linhas desordenadas aqui.

Precisamos sair das plataformas o quanto antes. Facebook e Twitter sendo os primeiros dos quais precisamos sair. Isso é urgente e precisa ser feito pela maior quantidade de pessoas possível. Se seguirmos o uso que fazemos dessas plataformas, a tendência é uma degradação exponencial.

Andrew Keen falou disso.

Bob Hoffman falou disso.

Zeynep Tufekci falou disso.

Jaron Lanier falou disso.

Eli Pariser falou disso.

Geert Lovink falou disso.

Shoshana Zuboff falou disso.

Só não vê, quem não quer. Instagram, Facebook, WhatsApp e Twitter devem deixar de fazer parte de nosso cotidiano. O quanto antes. E eles são apenas os primeiros que devem sair. Outras plataformas precisam ser eliminadas ou ter seu uso readequado. LinkedIn e YouTube se encaixam nesta segunda categoria.

Enfim. Sei que parece mais um rant. E é. Mas é um rant que precisa ser observado e seguido. Isso está fazendo mal para as pessoas. Para nós.